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Aniversário do Câncer
por Prof. Gláucio Soares

Sábado, dia 16, farei um aniversário diferente: 19 anos desde que recebi a notícia de que tinha câncer. Recebi a notícia com estranha calma, ainda mais que o Gleason era 6 e eu sabia que quanto menor, melhor.  O resultado da patologia me deixou apreensivo, pois havia penetração da cápsula e o Gleason era mais alto, 4+3. Eu estava psicologicamente fragilizado, pois vinha de divórcio de pessoa com quem eu me sentia feliz (e ela também). Ciúme genético, de filho. Isso representou uma depressão clínica séria e não é impossível que tenha contribuído para o câncer, pois a depressão torpedeia o sistema imune. Passaram muitas coisas na minha vida durante esses 19 anos, boas e más. Um TOC específico a outros cânceres, de um lado; uma vida acadêmica produtiva, do outro. Se você, que está lendo esta nota, tem medo de morrer ou de perder um ser amado para o câncer, acredite que não está só. Em graus diferentes, todos os cancerosos temos medo. Não tenha vergonha de falar sobre isso: apenas, escolha com quem falar.

É importante ter planos, seja para realizações profissionais ou pessoais. O risco de câncer da próstata cresce com a idade avançada.  E interage com outras complicações derivadas do envelhecimento. Dar aulas, orientar alunos, pesquisar, escrever, curtir música, leituras, filmes, passeios e muito mais foram os caminhos que encontrei para não pensar em câncer e morte. Sobretudo, ame. Ame a Deus (é difícil amar fielmente a Deus), seus filhos e filhas, netos e netas, esposas, companheiras, namoradas, ficantes, outros sofredores, desconhecidos, animais de estimação, a natureza, tudo o que pode ser amado.

Depois de quinze anos previsíveis, há quatro anos a barra pesou. O PSA quadruplicou em um ano e acabei começando o tratamento hormonal com Lupron. Eu temia esse tratamento, devido aos efeitos colaterais. O tratamento foi um sucesso: de maior que 22 ng/ml passou a não detectável no nível de 0,0003. Porém, os efeitos colaterais foram proporcionais ao sucesso. Diabetes, fadiga, náusea, etc. etc.  Depois de ano e meio dei uma parada, melhorei, e agora devo voltar para decidir, com o urólogo-oncólogo, se é necessário reiniciar o Lupron agora ou se dá para postergar.  Só pensarei a respeito quando fizer o mesmo teste de PSA e o CT scan no mesmo hospital e discutir o tratamento.

Nessas quase duas décadas envelheci muito e a velhice, nessa fase “off” do tratamento, está pesando mais do que o câncer – fadiga, artrite, artrose, dói aqui, dói ali, essas coisas. Devo agradecer por chegar onde cheguei. Primeiro a Deus por me manter vivo durante esse tempo e, sem dúvida, por fazer com que eu me tornasse numa pessoa melhor em função do câncer.  Criar um blog sem saber nada sobre informática (exceto fazer buscas profissionais no Google), sozinho e sem recursos não foi fácil. Os blogs sobre câncer da próstata, derrame e suicídio tiveram bem mais de um milhão de acessos. O mais importante é que ajudando a outros, ajudei mais a mim. Sou uma pessoa melhor. Por tudo isso, eu devo um Obrigado, primeiro a Deus e, depois, a você.

GLÁUCIO SOARES  -  IESP/UERJ



PROF. GLÁUCIO SOARES